As Havaianas não são apenas calçados; elas são o tecido conjuntivo da identidade brasileira. De Oiapoque ao Chuí, o som rítmico do “clack-clack” no asfalto ou na areia é a trilha sonora oficial do país.
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Em 2026, a marca continua a ser um fenômeno que desafia a lógica do marketing tradicional, transitando entre o item básico de cesta básica e o objeto de desejo nas passarelas de Milão.
A Sandália Democrática: Do Operário ao VIP
Nascidas em 1962 e inspiradas nas sandálias japonesas Zori, as Havaianas começaram sua jornada de forma humilde. Por décadas, o modelo clássico azul e branco era o calçado da classe trabalhadora, vendido em mercados de bairro dentro de sacos plásticos.
A grande virada ocorreu nos anos 90, quando a marca percebeu que o brasileiro já customizava suas sandálias (virando a sola colorida para cima). O lançamento da linha Havaianas Top e, posteriormente, a icônica sandália com a bandeirinha do Brasil para a Copa de 98, mudou tudo. Hoje, em 2026, elas ocupam o topo do Lyst Index como um dos itens de moda mais desejados do mundo, impulsionadas pela estética Brazilcore.
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O que as torna únicas?
- A Borracha Secreta: Diferente das imitações de plástico que machucam o pé, a fórmula da borracha das legítimas é guardada a sete chaves.
- Versatilidade Absurda: É o único calçado aceitável em um churrasco, no shopping, na praia e, dependendo do modelo (e da audácia), até em casamentos.
- A “Ferramenta Educativa”: Todo brasileiro tem uma memória afetiva (ou traumática) de uma Havaiana sendo usada como bumerangue por uma mãe habilidosa.
O “Choque Cultural” dos Gringos
Quando um estrangeiro pisa no Brasil, a relação dele com as Havaianas geralmente passa por três estágios:
1. O Espanto com o Preço
Lá fora, um par básico de Havaianas pode custar entre US$ 30 e US$ 50. Ao chegar aqui e ver o mesmo modelo por R$ 50 ou R$ 60 (cerca de 10 dólares em cotação atual), o gringo entra em curto-circuito. Eles costumam sair das lojas oficiais com cinco ou seis pares, sentindo que encontraram o maior tesouro do mercado financeiro.
2. O Dilema da Etiqueta
Para um europeu ou americano, o chinelo de dedo é, muitas vezes, restrito ao banho ou à beira da piscina. Ver brasileiros jantando em restaurantes conceituados de sandália de borracha causa uma estranheza inicial.
“Eles realmente usam isso em todo lugar?” é a pergunta frequente. A resposta, como sabemos, é um sonoro sim.
3. A Conversão Total
Em poucos dias, o gringo abandona os tênis térmicos e as sandálias de couro pesadas. Ele adota a “liberdade dos dedos” e percebe que a Havaiana é um estado de espírito. Eles se tornam os maiores embaixadores da marca, levando pilhas de chinelos como souvenirs para parentes, muitas vezes errando a numeração (já que a nossa escala é diferente da europeia e americana).
O Cenário em 2026: Entre a Moda e a Polarização
Recentemente, a marca voltou aos holofotes globais não apenas pela moda, mas por sua onipresença cultural. No final de 2025 e início de 2026, até mesmo as campanhas publicitárias da marca — como a polêmica peça sobre “começar o ano com o pé direito” — geraram debates acalorados nas redes sociais, provando que, no Brasil, mexer com a Havaianas é mexer com a opinião pública.
Enquanto o mundo discute tendências, o brasileiro segue firme: com um par de legítimas no pé, o mundo parece um pouco mais leve e muito mais confortável.